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Higiene do Cavalo
*Por Maria Rita Azevedo Fagundes |
A higiene diária do Cavalo é importante, não apenas para sua saúde, mas também para seu bem estar. Seria muita pretensão nossa pensar que apenas os humanos gostam de estar limpos, de banho tomado, usar banheiro limpo, com a higiene pessoal em dia.
Os cavalos também precisam disto e mais, precisam estar escovados, dormir em cama limpa e macia. Pensando dessa forma, não é tão difícil melhorar a qualidade de vida do seu cavalo. Em suas devidas proporções eles não gostam de nada diferente de nós.
Podemos começar com a cocheira: uma cama de serragem, de preferência do tipo “maravalha” de madeira branca, sem qualquer resíduo químico, deve ser limpa diariamente, e isto não é difícil conseguir. Basta treinar o tratador a adotar algumas medidas básicas.
Pela manhã, devemos retirar as fezes feitas durante a noite e também, o excesso de serragem molhada pela urina. Deixe exposta a parte molhada durante uma hora e pouco, para que seque o chão, evitando colocar serragem seca sobre o chão ainda molhado. Após a remoção da serragem úmida e das fezes, revolva a cama, afofando-a para que fique ventilada, confortável e ventilada.
Cocheira feita, é hora dos cuidados com o Cavalo. Comece com a escovação. Use para isso a raspadeira na mão direita e a escova com cabo de madeira na esquerda. Do alto do pescoço, use a raspadeira em movimentos circulares contra o relógio, descendo em direção à cernelha, dorso, garupa, barriga (alguns tem cócegas no vazio, portanto cuidado). De vez em quando bata a raspadeira no cabo de madeira da escova para retirar os resíduos de pelo e pó que se acumulam. Passa para o outro lado e repita a mesma operação. A seguir, passe a usar a escova, agora no sentido do pelo, em movimentos vigorosos, considerando que a escovação é também massagem e as duas juntas são importantes porque removem pelos mortos, restos de matéria seca, removem os ácaros e evitam fungos.
Nas partes mais sensíveis como patas, virilha, use apenas a escova. Esse contato diário ainda ajuda no manejo, a retirar cócegas e habitua-lo ao contato conosco.
Chegou a vez dos cascos. O ideal é limpar duas vezes ao dia com o “limpa-cascos”, aquela ferramenta com uma ponta de metal e uma pequena escovinha de cerdas duras. O animal passou a noite na cocheira e deve haver resíduos de cama úmida, meio ideal para proliferar bactérias e ovos de moscas. Também, ao guardar o animal, limpe novamente após o trabalho ou mesmo depois de ficar solto no piquete, para retirar barro e verificar se não ficaram pedras, pregos ou qualquer outro objeto que possa ferir a ranilha.
O banho deve ser dado após os exercícios, pois além de retirar o suor e sujeira, ajuda a relaxar a musculatura. Use uma mangueira com alguma pressão e shampoo ou sabão neutro. Deixe o animal amarrado em uma sombra para se secar, para evitar que ele role no chão e se suje novamente. Não guarde ele molhado na cocheira, pois a umidade, associada a resíduos e poeira ajuda a proliferar fungos e ácaros. Comece a dar ducha pelos boletos, patas, partes baixas para que acostume à temperatura e pressão da água. No inverno dê banho na hora mais quente do dia.
Uma parte importante que não deve ser esquecida no banho é bolsa escrotal que deve ser limpa com água morna e um lubrificante O acúmulo de secreções na bolsa predispõe a infecções e miíases (bicheiras). Há uma técnica para facilitar a limpeza dessa região, que é muito sensível, portanto, peça a seu veterinário que o ensine na primeira vez, ou poderemos tratar do assunto em um próximo artigo. Nas fêmeas, dê atenção e faça o mesmo procedimento entre as tetas.
Outros cuidados simples de higiene que devem ser adotados são os cochos. O cocho de água deve ser limpor diariamente, para evitar limo. O cocho de comida deve ter cantos arredondados, para evitar que se acumule ração velha, que fermenta e causa cólicas. Avalie sempre se no meio dos fardos de feno e alfafa não vêm pregos e pedaços de arame.
Esses são alguns cuidados simples e baratos, que previnem problemas mais sérios e melhoram a qualidade de vida do seu cavalo.
Além disso, passa haver maior contato com o tratador e com o tempo, um adquire mais confiança no outro.
* Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail: rita_vet25@yahoo.com.br
É médica veterinária, especializada em grandes
animais e atende diversos centros hípicos em São Paulo
e na Serra da Cantareira. |
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