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NUTRIÇÃO EQÜINA
Alimentação correta  é a que mais se aproximar da vida natural

*Por Maria Rita Azevedo Fagundes

Para entendermos a melhor forma de se alimentar os cavalos, devemos nos lembrar como era sua vida na natureza. Eqüídeos, em geral, são presas na natureza, estando, portanto, sempre vulneráveis ao ataque dos predadores.

A maneira que esses animais encontraram para se alimentarem com a maior segurança é estando sempre em movimento, se alimentando em pequenas quantidades, durante 18 a 20 horas ao dia, exclusivamente de volumoso (verde, capim) por serem herbívoros.

Colocando os animais para viverem em cocheiras, nós modificamos os hábitos de vida e de alimentação. Mas, alguns fatores referentes à natureza deles, têm que ser respeitados. Um desses fatores, é sua anatomia, já que o estômago é relativamente  pequeno para seu porte (em média 12 litros), e fica em uma posição que não permite que o cavalo vomite. Estes dois itens aliados podem levar a uma sobrecarga e até à ruptura do estômago, se o animal for alimentado em grandes quantidades, de uma vez só, principalmente se a refeição for composta de concentrado (ração).

Para evitarmos os acidentes e oferecermos uma melhor qualidade de vida aos cavalos, algumas regras devem ser seguidas:

1)      Como oferecer o alimento: O Volumoso (verde) deve SEMPRE ser oferecido ANTES do concentrado (ração), nunca junto. Se for oferecida antes a ração, espere duas horas até dar o verde, isso porque a digestão do verde é mais rápida. Se o cavalo comer ração e logo em seguida o verde, este “empurra” a ração para o intestino grosso mais rápido e o cavalo perde proteínas.

2)      Quantidade: deve ser levado em conta o porte, idade, atividades, gestação. A teoria do “Mínimo necessário”, não o “Máximo obrigatório” deve ser respeitada, já que tudo em excesso pode ser prejudicial. Em média, um cavalo para sua manutenção necessita de 1,5 a 2% do seu peso em alimento, ao dia, divididos em concentrado, capim verde e feno. Isso corresponde a 7,5Kg de matéria seca para um cavalo de 500Kg. O essencial é que a quantidade de concentrado oferecido por refeição não deve ultrapassar 2 a 2,5Kg. Para o feno, usamos a regra básica de 1 fardo para cada dois animais adultos  ou 3 potros, ao dia.

3)      Qualidade: antes de receber o feno na propriedade, avalie se não está muito ressecado, se as folhas estão firmes (nelas que estão os nutrientes). Lembre que o barato pode sair caro. O capim que se oferece cortado não pode ultrapassar a altura de 2 metros, pois fica muito fibroso, o animal não digere e pode causar cólica. A ração deve ser procedente de uma empresa idônea, com controle da matéria prima e níveis de garantia (umidade, energia, proteína, calorias, Cálcio, Fósforo...).

4)      Hora certa: Respeitar sempre os mesmos horários para a refeição, isso evita o risco de úlcera gástrica causada por estresse. De preferência, a última refeição do dia deve ser composta só por volumoso, assim o animal tem com o que se distrair, já que haverá um intervalo longo até amanhecer. Sendo assim, a primeira refeição do dia pode ser composta de ração.  

5)      ÁGUA FRESCA E LIMPA SEMPRE À DISPOSIÇÃO: já que a falta de água leva o animal à morte muito mais rápido do que a falta de comida. E a água barrenta pode causar cólica por acúmulo de terra no intestino. Um cavalo consome de 15 a 35 litros de água ao dia. Uma égua prenhe consome o dobro de um animal em manutenção.

6)      Sal mineral diariamente: pois o animal não perde apenas água no suor, perdendo também sais. A quantidade média é de 50g por animal, ao dia, misturados à ração, ou à disposição em um cocho a parte. Prestar atenção, pois alguns animais não apreciam o sabor e acabam não ingerindo.

7)      Qualquer suplemento deve ser oferecido apenas com supervisão de um Médico Veterinário, já que todo o excesso é tão prejudicial quanto a falta de um nutriente, Seja esse suplemento Vitamínico, Mineral, Protéico, Probiótico, Energético...

8)      Não submeter o animal a mudanças bruscas na alimentação, uma eventual troca de ração deve ser gradual.

Estes são os tópicos que considero mais importantes, qualquer dúvida, é só mandar um e-mail e podemos discutir o assunto melhor!

* Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605

e-mail: rita_vet25@yahoo.com.br

É médica veterinária, especializada em grandes animais e atende diversos centros hípicos em São Paulo e na Serra da Cantareira.



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