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CAVALOS ATLETAS – USO DE SUBSTÂNCIAS PROIBIDAS
Por Dra. Maria Rita Azevedo Fagundes
Um pouco da História
O uso de substâncias que provocam bem estar, analgesia e melhora na performance esportiva, é conhecido desde meados de 3000 a.C. Na Grécia Antiga, nos Jogos Olímpicos, 300 a.C., os corredores utilizavam um produto alucinógeno, à base de cogumelos. Nas Batalhas dessa época, era comum os guerreiros usarem substâncias à base de ópio para diminuir a dor e aumentar a coragem diante das batalhas.
Nos animais, a tentativa de melhorar o desempenho dos cavalos surgiu um pouco antes de Cristo, quando os tratadores utilizavam o “Hidromel”, o que nada mais era que uma mistura de mel, aveia e água, aumentando o suporte de glicose e hidratando o animal. Para mostrar ao povo o rigor das leis, o Senado Romano punia com a crucificação o tratador de cavalos que utilizasse o hidromel.
A Morfina foi descoberta em 1806, e depois de 10 anos já era usada em cavalos.
Ao longo dos tempos, foram descobertas inúmeras drogas que estimulavam os atletas e diminuíam as dores causadas por lesões. O uso indiscriminado dessas substâncias teve como conseqüência a morte muitos atletas, o que deu origem ao início das pesquisas para descobrir essas substâncias , após as competições esportivas. O primeiro método foi descoberto pelo químico russo Bukowski, em 1910, no Jóquei Clube da Áustria, onde analisava a saliva dos cavalos.
Mas foi durante os Jogos Olímpicos que Tóquio, que um congresso da Unesco iniciou o combate à dopagem, esboçando leis, controles e punições.
(Fonte: Clínica Osmar Oliveira)
E a cada dia ouvimos mais casos de doping em competições esportivas, como nas Olimpíadas de Atenas, onde o cavalo Waterford Crystal foi desclassificado pelo uso de substâncias proibidas, dando a Medalha de Ouro a Rodrigo Pessoa, com o garanhão Baloubet de Rouet.
Mas o que é “Doping” ou Dopagem?
É a administração de qualquer substância não permitida, com o objetivo de melhorar a performance esportiva do animal, seja diminuindo a dor de alguma lesão pré existente, seja conferindo maior explosão muscular ou capacidade respiratória.
Nunca devemos esquecer que o doping é uma prática desonesta e punitiva, já que os animais devem competir em condições de igualdade, prevalecendo aquele que estiver melhor preparado.
Hoje há milhares de drogas consideradas proibidas, e a cada dia os laboratórios têm que se atualizar para detectá-las. Muitas dessas drogas são usadas rotineiramente no tratamento dos animais, devendo apenas ser usadas fora da época das competições esportivas, outras podem trazer conseqüências graves para a saúde.
Alguns exemplos de substâncias proibidas:
• Drogas ilegais, opióides e estimulantes. Inclui Morfina e Butorfanol. Alguns tranqüilizantes são utilizados para que o animal fique mais tranqüilo durante a competição, mas sem alterar sem nível de consciência.
• Anestésicos locais: Apesar de serem substâncias controladas, podem ser usados fora do período de competição, mas muitas vezes são usados de forma proibida, para bloquear a região atingida por uma lesão, fazendo com que o cavalo não sinta dor enquanto corre. Lidocaína e Xilocaína.
• Medicamentos usados rotineiramente em tratamentos, mas proibidos durante as competições, por afetarem de alguma forma o desempenho do animal: Antiinflamatórios (fenilbutazona), corticosteróides (prednisona), broncodilatadores (clembuterol), diuréticos (furosemida), antihistamínicos (difenidramina), mucolíticos/expectorantes (guaifenesina), vasodilatadores (isoxsuprine)
E uma classe dessas substâncias proibidas merece atenção especial, já que constantemente ouvimos casos de jovens que estão até morrendo, por usarem medicamentos veterinários.
• Anabolizantes: são substâncias naturais ou sintéticas derivados da testosterona, usados com o objetivo de aumentar a musculatura e força física. Esses medicamentos existem porque têm sua função, mas como os efeitos colaterais são graves, a maioria das vezes a melhora do físico dos animais não mostra ter muitas vantagens, em relação aos riscos.
Alguns efeitos: hepatotoxicidade, aumento da agressividade, aumento da pressão arterial, parada de crescimento precoce em animais jovens, aumento do colesterol. Quanto à parte reprodutiva, também são notados alguns efeitos: masculinização das fêmeas, diminuição da atividade dos ovários, cios irregulares, atrofia testicular, diminuição da qualidade e quantidade de espermatozóides, entre outros.
Conclusão
Devemos ter consciência das conseqüências do mau uso de algumas substâncias para cavalos de esporte. Primeiro por se tratar de ilegalidade e injustiça com outros animais na competição. Há também o fato de a dor ser uma defesa do organismo, e se acabarmos com essa dor, o animal pode fazer um esforço inadequado e agravar uma lesão pré existente, podendo tirar para sempre o animal do esporte.
Existe uma conseqüência menos comentada, mas não de menor importância, quanto à seleção de animais para a reprodução: uma vez que os animais que recebem essas drogas têm um melhor desempenho, acabam sendo selecionados, viram reprodutores, só que essas características não serão passadas a seus descendentes.
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* Maria Rita Azevedo Fagundes CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br
É médica veterinária, especializada em grandes animais e atende diversos centros hípicos em São Paulo e na Serra da Cantareira.
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