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Apresentação

José Luiz em um “Vol d´oiseaux” eficiente, completo e correto enfoca todos aspectos importantes no trato de um cavalo. Mas o mais importante de tudo foi o esforço que ele fez para comunicar o como e o quanto se deve amar o animal. Dizem que para conhecer uma civilização deve-se primeiro amá-la. Assim é com tudo.
Entendo perfeitamente isso porque não vejo outro jeito de ter uma relação prazerosa com o animal, tirando o melhor partido para o exercício e o lazer.
Lembro-me de quando pela primeira vez montei a cavalo. Tinhadez anos estava em São João da Boa Vista minha cidade natal e tinha tal fissura de montar, mas frustrado porque não conseguia uma condição de fazê-lo.
Até que um dia um primo que administrava um negócio em umafazenda me prometeu, naqueles dias, que eu poderia andar a cavalo se não chovesse. Rezei noventa Ave Marias para não chover.
 
  

Consegui. Sai voando, temerariamente, com o cavalo por uma reta enorme de uma estrada secundária. Sinto ainda até hoje o vento no meu rosto e no meu peito.
Trago o cavalo de volta, emocionado e transtornado de prazer. Descobri que tenho um amor “beduíno” pelo cavalo. Entendo com isso todos os princípios da doma natural, racional que é a coisa mais saudável na relação entre os seres vivos. Tenho vontade de passear com José Luiz por todos os pontos que ele passou com a simplicidade de quem ama o que faz, mas seria redundante fazê-lo. Vou salientar, apenas, um dos pontos que ele corretamente trata e reforça, que é o efeito educador e terapêutico do cavalo sobre o homem.
Ou o homem entende e faz corretamente, com respeito com o animal ou a relação será desagradável e má. Assim é com todo ser vivo. Esse trato com o animal como José Luiz diz fornece princípios para a conduta do homem em sociedade, na família e no trabalho. Ele insiste no “Horsemanship”, indireta, mas repetidas vezes na empatia, (este colocar-se no lugar do outro) como fator essencial para as relações humanas e de todos os seres. A gente pode aplicar os princípios do “Horsemanship” na criação de uma criança ou no treino de um funcionário. Antes, por desconhecimento e medo o homem enfrentava e agredia os animais: cavalos, cães, macacos, etc.
Hoje, na medida do conhecimento e da empatia essas relações mudaram até com tubarões. Um tempo atrás participei na Kennedy School of Government de um curso sobre Autoridade que é geralmente, mal entendida. Eles usaram uma família de gorilas para demonstrar os princípios da autoridade, onde se vê que o líder:
• dirige
• protege
• orienta
• organiza o grupo Não tiraniza e não tem que quebrar “o espírito”.

Portanto, por tudo isto, o livro de José Luiz é extremamente útil para todos, como princípios de uma educação humana, social e empática: para cavalos e homens.

Vale muito a pena ler este livro, que além de ser conciso, é completo e extremamente agradável.

Bachir Haidar Jorge*
*Bachir Haidar é médico psicoterapeuta e cavaleiro sênior da Hípica Santo Amaro, em São Paulo

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