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O
Trabalho de iniciação de potros na nossa abordagem,
parte do reconhecimento da natureza especial dos cavalos
e segue os princípios da relação Homem-Cavalo,
estabelecida do ponto de vista deles. Essa linha de atuação
tem sido chamada de Horsemanship. Nesta interação
o Homem constatou que o cavalo foi seu primeiro professor,
e assim é; "o cavalo é o nosso melhor
professor", como afirma o mestre Eduardo Borba.
"Xenofontes, um general grego, escreveu há mais
de 24 séculos um livro intitulado: "A ARTE DO
HORSEMANSHIP". Esta obra consta da maioria das bibliografias
sobre estudos a respeito do manejo, maneiras de montar e
disciplinar cavalos. Todos os autores que o conhecem são
unânimes em dizer que o livro é de uma clareza
ímpar no que se refere ao conhecimento sobre cavalo.
Sua postura implicava no respeito, na segurança,
no conforto e na compreensão do animal, quando em
treinamento. Ele diz: - "Nada forçado e sem
compreensão pode ser belo". - "Os potros
devem ser treinados de tal maneira que não só
gostem de seus cavaleiros, mas que também estejam
esperando ansiosamente por eles no dia seguinte". Ao
longo do tempo esse respeito foi perdido e trocado pela
violência.
A diferença entre um "Horseman" e a maioria
das pessoas que lidam com cavalos do modo tradicional (aqui
entendido como os que conseguem a submissão do cavalo
pelo uso da força), é que elas não
observam que o cavalo é um animal "predado"
e, por isso, tem necessidade do instinto de auto- preservação.
Portanto, quando se lida com esses animais, não levar
em consideração esse fato é buscar
o confronto na certa.
Borba também ensina que, "quando um cavalo não
responde àquilo que estamos pedindo, isso ocorre
por três razões básicas: por não
compreender, por estar confuso ou, ainda, por não
ter lhe sido ensinado. Se não levarmos em conta esses
fatores, estaremos procurando briga e, com certeza, vamos
encontrar, com a agravante de que sempre vamos sair perdendo,
pela razão mais óbvia: ele é mais forte
que nós". Aqui entra um dos conceitos importantes
do tripé que compõem a ação
do Horsemanship: Observar (feel), respeitar o tempo deles,
(timing) e ir para a ação (action).O que devemos
fazer é lhe dar o tempo para que possa aprender e
compreender o que estamos pedindo. Não há
atalhos e nem mágica. O que existe de real, somos
nós e o nosso cavalo, ajustando-nos a cada situação
que aparece, procurando Sentir o seu Timing a fim de que
possamos ter uma relação mais Equilibrada,
e com isso conseguirmos uma posição mais adequada
de onde ele possa começar melhor.
O cavalo tem uma psicologia própria baseada em seu
instinto de preservação e nos registros de
sua memória, o que controla seu corpo, ou seja, suas
pernas e seus pés. A emoção dominante
de um cavalo é o medo e ele tem motivos de sobra
para temer o contato com o Homem. O que temos que fazer
é criar um ambiente favorável ao aprendizado,
ambiente que se baseia na confiança construída
entre nós. Borba afirma que "observa as pessoas
lidando com eles, não levando em conta que essa necessidade
básica de auto-preservação faz parte
de seu mundo, portanto, cavalos pensam, são sensíveis
e tomam decisões, assim como nós". Nosso
trabalho é garantir a ele que pode conservar seu
instinto de auto preservação e ainda responder
ao que lhe estamos pedindo. Isto será muito útil,
tanto para nós como para o cavalo.
Quando iniciamos um potro, temos que tentar deixar o mais
claro possível que não tem o que temer nem
do que se proteger. Eles precisam tempo para compreender
o que queremos que ele escolha fazer. Veja que conceito
importante: ele tem que ser convidado a escolher o melhor.
O caminho para essa escolha tem que parecer natural, o mais
confortável. Os outros caminhos podem até
ser considerados por eles, mas devem parecer piores do que
estar conosco. Mais uma vez, como ensina Borba, "`as
vezes, ir devagar é o jeito mais rápido de
se chegar a algum lugar. Não queremos, de maneira
nenhuma, assustá-lo. Se ele ficar com medo da gente,
na próxima sessão estará também
com medo, pois estará esperando por isso, assim que
me vir".
Aplicar uma pressão inadequada, quer dizer, apressar
o programa de treinamento por qualquer razão, obrigá-lo
a trabalhar até o cansaço extremo, não
lhe dando o tempo necessário para que possa compreender
o que espero dele vai despertar seu instinto de auto - preservação,
o que ele tem de mais forte, gerando confusão e,
conseqüentemente, rebeldia.
O cavalo é um ser naturalmente liderado, portanto,
nosso trabalho é liderá-lo da mesma forma
que um cavalo faz para controlar outro.
Ele vai testar a nossa capacidade de liderança, muitas
vezes em situações realmente difíceis.
Temos que provar que não somos predadores, mas sim
líderes, preparando-nos para as situações
que ele vai nos criar, antecipando-as, sem lhe causar susto,
medo ou dor, situações que lhe permitam tomar
decisões corretas em relação a nós.
Utilizamos prioritariamente para a construção
dessa relação, o trabalho de redondel, uma
ferramenta básica para a relação com
os cavalos. Dentro dele, simulamos a situação
de pressão e fuga, podemos dar o tempo para a observação
mútua, onde a expressão corporal é
fundamental, e podemos considerar mutuamente um ao outro
e a seguir ele pode escolher ir embora (ficar de costas),
ou se aproximar. A atitude é incorreta quando ele
pára com a cara virada para a cerca, o que significa
que vai ter de trabalhar (galopar) mais. A atitude correta
é quando pára com a cara virada para o seu
treinador; então, a pressão deve ser aliviada
imediatamente, permitindo que descanse e perceba que é
isso que se espera dele. Assim, estaremos trabalhando através
da sua mente.
Quando aprendemos a fazer uma leitura do cavalo através
da observação de suas expressões, crescem
nossas possibilidades de comunicação. O que
dizem suas orelhas, seus olhos, sua boca? Suas ações
também vão nos dizer o que está acontecendo:
quando está compreendendo ou quando não está,
quando está com medo ou quando está agressivo.
Interpretar o nível de aceitação representado
por essas atitudes é a meta. Aprender a ler o cavalo
é aprender uma linguagem nova é a comunicação
através da sensibilidade, e isso só se consegue
com a mente aberta. De nada adianta uma atitude arbitrária,
opressiva, como se fôssemos superiores a ele.
Como ensina Monty Roberts, o Princípio do trabalho
de iniciação passa pelo Conceito da não
violência: ninguém tem o direito de dizer a
quem quer que seja; faça isso ou vou machucá-lo;
"Você pode levar um cavalo a ir para a água,
mas não pode obrigá-lo a beber"
"Você pode levar um homem ao conhecimento, mas
não pode fazê-lo pensar"
A dor pode conseguir obediência e aceitação,
mas acreditamos que só a aceitação
não basta para garantir um desempenho fantástico.
Um caminho a percorrer
Quando falamos em criar um ambiente e situações
que favoreçam o aprendizado temos que considerar
que o resultado do aprendizado passa pelo estabelecimento
de hábitos, ou respostas naturais. Hábitos
existem no cérebro como registros nervosos (pathways)
e substâncias químicas específicas.
Nas fases iniciais de formação do hábito,
estas estruturas são frágeis, e ficam mais
sólidas e permanentes com o passar do tempo, com
a repetição. Em geral, parece levar ao redor
de três a sete repetições sucessivas
para começar o processo e mais sete para começarem
a ficar seguros, contanto que o cavalo seja adequadamente
e imediatamente reforçado positivamente (alívio
da pressão na mesma fração de segundos
da sua tentativa de resposta), que pode estar na forma de
liberdade de pressão (amolecendo mão e perna),
quando ele dá o primeiro sinal de que vai mover-se
para onde e como nós estamos convidando ele a fazer.
Isso vale para trabalho de base (ground work) no redondel
e para trabalho montado.
Para um animal sensível como o cavalo, é importante
ter a capacidade para aprender a dessensibilizar vários
estímulos do ambiente que no final das contas não
significam nada, como o sussurrar de árvores no vento,
ou saco plástico que voa na estrada, ou uma moto
que passa. O potro tem que passar as fases iniciais de dessensibilização
para se certificar que nenhuma ameaça à sua
vida está no ato de ser montado por um homem. Desde
o primeiro contato com a sela, que o agarra pelas costas
como faz uma onça ou jaguatirica no mato, temos que
considerar isso do ponto de vista dele.
É importante se lembrar como um cavaleiro, que a
cronometragem do amolecimento da ajuda é crítica,
ou o cavalo aprenderá mal a se acostumar a seus sinais.
Ele pode generalizar eventualmente e pode reduzir a reação
dele a todas suas ajudas.
Isto é precisamente o que cria os chamados boca dura:
Cavaleiros que inseguros nunca aliviam a pressão
nas rédeas, ou que apoiam nelas o seu peso, logo
reclamam do cavalo, da embocadura, e nos procuram pedindo
um bridão com mais ação, ou um freio
pesado, para conter o cavalo. Isso dá resultado por
um curto tempo, até o momento que o cavalo já
reage mal até mesmo à colocação
da cabeçada, a seguir já tenta evitar ser
montado. Ou seja, a falta de uma correta observação
do cavalo, ou da leitura correta dos seus sinais, sem nunca
aliviar a pressão, são a melhor receitar para
estragar um bom animal.
Em outras palavras, mudar o modo do cavaleiro usar as rédeas,
reduzir a ansiedade e insegurança para acabar com
o ressentimento da boca do cavalo. Falamos disso aqui, porque
os alicerces de uma correta iniciação nem
sempre foram observados na história do seu cavalo,
mas mesmo um animal mal iniciado poder ser melhorado, desde
que o cavaleiro o ame o suficiente para, com humildade,
lidar com suas próprias inseguranças e mudar
o modo e a linguagem com que se relaciona com o cavalo.
Cavalos são espelhos do cavaleiro, sempre. Quando
criticamos pesadamente uma atitude no cavalo que sempre
montamos, estamos criticando aspectos nossos que ele reflete
e nesse ponto ele é de novo, um bom professor.
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A dessensibilização começou com a retirada das cócegas nas áreas vulneráveis, com a passagem e agitação de saco plástico, sem que o cavalo desse um único coice. A seguir ele ganhou confiança e passou sobre a lona plástica. |
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Apresentado a um bridão leve de argola e ao selote, preso com cilha pela primeira vez, ele evoluiu no charreteamento, passo importante da doma de baixo que demorou duas semanas com exercícios leves de até 40 minutos. |
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Apresentado aos equipamentos, baixeiro, sela (colocada com calma sobre ele), aceitou e manteve a atitude de confiança. Cooperou a cada nova etapa da sua iniciação |
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Aceitou a sela e no redondel não se preocupou em tentar retira-la |
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Após o chamado banho de sela, primeira vez sendo montado. Ainda que prestando atenção ao cavaleiro (orelhas para trás sem abaixar) atitude do olhar e de pescoço e corpo é de tranqüilidade. |
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Na doma de cima, começamos a exercitar as saídas à mão esquerda e à mão direita, saídas a passo e as transições de um andamento a outro. |
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Montado pelo tratador e equitador Ari, correspondeu ao que havia aprendido no dia anterior. |
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Atitude geral de cavalo bem iniciado. |
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| Fotos
de Jota Amaro |
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